a menina que virou chuva

 

2013

para orquestra | for orchestra

OSP - Orquestra Sinfônica do Paraná

Marcio Steuernagel, conductor

sobre a peça

 

A peça está segmentada em três partes e apresenta algumas histórias paralelas que podem constituir percursos simultâneos para a escuta. A peça caminha, por exemplo, de uma escrita tímbrica para uma escrita harmônico-melódica, passando por uma escrita textural na parte central. Um outro percurso se dá no âmbito da tessitura, com um deslocamento do registro agudo (la5 em uníssono na cordas) ao registro grave (cluster final nas cordas), passando por uma abertura mais balanceada da tessitura na parte central e por choques acentuados na terceira parte, enfatizados pelo contraste de dinâmica e de colorido orquestral. No que se refere à organização de camadas, a peça tem início com uma ideia monódica (conduzida pelas cordas), passa por um agenciamento polifônico (com a sobreposição de comportamentos bastante distintos entre os glissandi das cordas e as ondulações dos sopros na região grave) e se encerra com uma textura essencialmente homofônica (com as cordas e os sopros amalgamados), onde alguns fragmentos melódicos são destacados nos sopros. No decorrer da peça o tam-tam aparece como personagem capaz de alargar o espectro sonoro da orquestra, contribuindo também para a transição entre as diferentes partes.

 

De um ponto de vista bastante pessoal, a peça carrega uma dimensão extra-musical que faz referência a estados emocionais associados à experiência da morte, se valendo de alguns elementos simbólicos trabalhados nesse mesmo contexto ao longo da história da música.

 

A peça é dedicada à Heloísa Bonafé de Andrade, a menina que virou chuva.

about the piece

 

The piece is segmented into three parts and presents some parallel stories that may suggest simultaneous pathways for listening. The piece moves, for example, from a timbrical to a harmonic-melodic writing, passing through a textural writing in the middle part. Another route takes place within the tessitura, with a displacement of the upper register (A5 unison on the strings) to the low register (final cluster on the strings), passing through a more balanced opening of the tessitura in the middle part and through some pronounced shocks in the third part. These shocks are emphasized by the contrast of dynamics and orchestral color. Regarding the organization of layers, the piece starts with a monodic idea (conducted by the strings), passes through a polyphonic moment (with the overlapping of quite different behaviors, considering the string glissandi and the ripples of woodwinds and brasses on the lower range) and ends with an essentially homophonic texture (with the strings, woodwinds and brasses blended) where some melodic fragments are highlighted by the winds. Throughout the piece the tam-tam extends the sound spectrum of the orchestra and contributes to the transition between the different seccions.

 

From a very personal point of view, the piece carries an extra-musical dimension that refers to emotional states associated with the experience of death, taking advantage of some symbolic elements developed in this same context throughout music history.

 

The piece is dedicated to Heloise Bonafé de Andrade, the girl who became rain.

principais performances | main performances

 

Orquestra Bachiana Filarmônica

John Boudler, conductor

Sala São Paulo, São Paulo, Brazil

2013

 

OSP - Orquestra Sinfônica do Paraná

Marcio Steuernagel, conductor

II Concurso Nacional de Composição Música Hoje

Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto (Guairão), Curitiba, Brazil

2013

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